Goiás/GO - Formoso do Araguaia/TO - Ilha do Bananal

Nosso trecho foi marcado novamente pelo calor, saímos de Goiás/GO após as 9h pois esperamos as lojas de artesanato abrirem (não poderíamos sair sem o imã de geladeira da cidade!). Fomos conversando com diversas pessoas no trajeto e recebemos uma orientação que nos economizou uns 80km de distância. Já no estado do Tocantins, avistamos lagartos, tatus, jacarés e mais uma vez quase atropelamos uma siriema. Após nossa instalação na cidade de Formoso do Araguaia/TO, saímos para comer o X-Pantera, num trailer (ou Pit-Dog) na rua principal da cidade. Tentamos buscar algumas informações da cidade e para nossa surpresa houveram poucas pessoas que souberam dar alguma informação sobre o turismo da região.


O Tocantins não tem se mostrado um estado preparado para o ecoturismo, nesta experiência de conhecer a maior ilha fluvial do mundo, assim como a experiência de conhecer o Deserto do Jalapão em 2006, houveram diversos contratempos. A cidade de Formoso do Araguaia, assim como a cidade de Ponte Alta do Tocantins, não dispõem sequer de um centro de atendimento ao turista ou similar. Os hotéis e pousadas não possuem guias cadastrados e/ou informações disponíveis dos atrativos do lugar. Os poucos guias, oferecem uma estrutura precária a custos exorbitantes! Para completar nossa frustrada tentativa de entrar na Ilha, a forte chuva voltou a nos abater e prejudicar nosso passeio.


Conseguimos um senhor que nos levou em sua pick up até o porto para visitarmos a Aldeia São João que está em festa de Aruanã, uma festa de "iniciação" dos meninos. Quando eles atingem aproximadamente 12 anos de idade eles tem seus cabelos cortados, são pintados e passam a ter mais responsabilidades na tribo que pertencem. Esta é uma festa anual e dura quase um mês (ninguém soube ao certo quantos dias), reune diversas tribos da região, portanto as outras aldeias estão vazias.


Em alguns momentos desta "iniciação" as mulheres e meninas são impedidas de assistirem ao evento, na verdade elas ficam enclausuradas nas casas ou ocas. Os índios vivem da pesca, da aposentadoria dos mais velhos e de uma ajuda para os índios até 6 meses de idade, uma espécie de auxílio maternidade. No passado os indígenas se organizavam em arrendamentos de terra para criadores de gado da região, mas esta atividade criou alguns transtornos entre as tribos e a prática foi abandonada.

Neste pouco contato com os índios que tivemos, aprendemos que "tori" significa homem branco e "aiurê" significa bom dia ou boa tarde... nesta linguagem "javaé". Os mais velhos e as crianças não falam português, exigindo a presença de intérpretes nos centros de atendimento ao índio.

Acabamos por não acessar a Ilha do Bananal e conhecer as tribos que estão lá, mas foi possível entender um pouquinho sobre a cultura e a forma de vida deles. O que nos restou foi apenas uma vista da ilha na margem do Rio Javaés além de uma breve conversa com alguns deles que aguardavam uma canoa buscá-los.

Anteciparemos nossa partida rumo à Alto Paraíso de Goiás/GO, cidade da Chapada dos Veadeiros.


2 comentários

  1. X-Pantera! Deve ser bom! Que pena que não deu pra conhecer a Ilha do Bananal. Vão aproveitando por aí, porque aqui em Curitiba tá frio e chovendo...

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  2. Legal esse contato com a cultura e a história da região. Saber dos vários 'brasis' que estão contidos no nosso Brasil, podendo aproximar essa curiosidade de nós que estamos aqui a imaginar - vendo através dos olhos de vocês e entendendo um pouco mais de toda essa mistura que tem na nossa história.
    Um grande abraço aos dois. Quando falaram do artesanato, lembrei da Adriana, ela não vai poder trazer tanta coisa de moto...
    Boa Viagem!!!
    Beijão
    Solange/Larissa/Moacir

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