Cavalcante/GO - Quilombolas Kalungas

Hoje fomos até a cidade de Cavalcante, a aprox. 90km de Alto Paraíso, para conhecer uma das comunidades descendentes de Quilombolas (negros escravos que fugiam dos senhores de engenho). Recebemos a indicação no CAT (Centro de Apoio ao Turista) que a 24km da cidade haveria um bom lugar. O acesso não foi fácil, tivemos que atravessar dois rios, um deles a água veio na pedaleira da Mônica (moto).


O lugar é conhecido por Engenho II, uma comunidade de aprox. 300 habitantes que preservam a cultura dos seus antepassados. Fomos recebidos pelo Sr. Sirilo, um morador que atua como líder da comunidade, ele da orientação para os jovens, ajuda na confecção de remédios naturais (com raízes, folhas e etc. da região). O Sr. Sirilo nos atendeu gentilmente e apresentou-nos sua casa e parte da sua família.

Ele tem 11 filhos e quase 30 netos, uma criançada que vive brincando livremente pelas ruas e casas que nem muros tem. Tudo é muito simples, várias casas tem uma espécie de área ou varanda com telhado de folhas de Buriti e piso de chão batido.


Fomos convidados a almoçar junto com eles, sem cardápio especial, foi o que tinha mesmo e estava muito gostoso! A comida foi feita no fogão a lenha, comemos Paçoca de carne, feijão vermelho, arroz, abóbora cozida e uma rica saladinha de cenoura com repolho... já ia me esquecendo dos ovos caipiras fritos!

Durante algum tempo (aprox. até 1990), havia uma evasão dos jovens que iam para "a cidade" estudar e arrumar emprego, mas esta realidade foi mudando e as escolas já se instalaram na comunidade que dispõe de ensino médio. Ainda assim vários jovens vão estudar mas voltam para explorar o turismo da sua região como fonte de renda e reativação da cultura. A comunidade vive de agricultura de subsistência, criação de animais e agora do turismo.


Tivemos contato com a fruta do Buriti, que até então não conhecíamos, o gosto é adstringente mas com um pouco de açúcar fica uma delícia! Tomamos o suco, entendemos como toda a planta é utilizada, desde o fruto, as folhas e o tronco, que depois de seco serve como calha.

Nossa guia (sobrinha do Sr. Sirilo) nos levou até a cachoeira da Capivara 1 e 2 aonde nos banhamos em águas muito cristalinas. Ela também nos ensinou sobre várias plantas e suas aplicações medicinais e na culinária do povo. Inclusive estamos levando sementes de Baru para plantarmos.


Assim como nas tribos indígenas da Ilha do Bananal, a comunidade dispõe de um orelhão. Se alguém quer falar com uma pessoa da comunidade é só ligar para o orelhão que alguém que estiver por ali perto atende e vai chamar... É só um exemplo de que a cooperação funciona muito bem com a simplicidade.Apesar de ser uma pequena comunidade, estão muito bem organizados e inclusive para o turismo, saímos realmente satisfeitos com o mergulho cultural que nos proporcionamos.



1 comentários

  1. Não entendi! Quer dizer que o Buriti tem gosto adstringente. rssssss! Um abraço!

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